A Comissão Europeia finalizou o calendário de implementação do AI Act, com conformidade obrigatória para sistemas de alto risco até agosto de 2026 e multas de até 7% do faturamento global para violações. Simultaneamente, o G20 reuniu-se em sua cúpula para discutir frameworks regulatórios para inteligência artificial em escala internacional, com foco em transparência de modelos e proteção de dados pessoais. Essas não são discussões técnicas. São disputas de poder sobre quem escreve as regras que governarão a tecnologia mais transformadora da próxima década.
A estratégia europeia é clara: estabelecer padrões rigorosos primeiro, depois usálos como referência global. Assim como a legislação de privacidade GDPR se tornou referência internacional, o AI Act visa criar um novo precedente onde a precaução prevalece sobre a velocidade de inovação. A China, embora não seja membro formal do G20 para decisões tecnológicas, participa das negociações e busca evitar regulação que limite seus avanços em inteligência artificial. Os EUA, sob a administração Trump, mantêm uma posição mais permissiva, argumentando que regulação excessiva prejudica a competitividade contra Pequim.
A implicação é que a tecnologia de IA se desenvolverá sob dois ou três regimes regulatórios paralelos. Empresas que operam globalmente terão de cumprir o padrão europeu mais rigoroso, enquanto em outros mercados a regulação será mais leve. Isso não resolve a disputa: apenas a desloca para a implementação. A verdadeira batalha será sobre qual padrão dominará os mercados emergentes, especialmente na Ásia e América Latina, onde governo e setor privado ainda definem suas posições.
