As eleições parlamentares no Reino Unido resultaram em um governo de coalizão entre o Partido Trabalhista e os Democratas Liberais, com Keir Starmer mantendo a posição de primeiro-ministro. Simultaneamente, Brasil e Argentina retomaram negociações com a União Europeia para fechar o acordo de livre comércio do Mercosul, com expectativa de conclusão até dezembro de 2025. Esses eventos parecem domésticos, mas revelam uma mudança na diplomacia de potências médias.
O novo governo britânico sinaliza maior disposição de buscar alianças fora do eixo tradicional EUA-Reino Unido. A coalizão com os Lib Dems inclui pressão por maior envolvimento na política europeia e aberturas comerciais com regiões que o governo anterior marginalizava. O Brasil, por sua vez, percebe que o Mercosul isolado tem poder de negociação limitado e que a conclusão de um acordo com a UE oferece saída para a estagnação econômica regional. Argentina, sob Javier Milei, também busca abrir sua economia para mercados maiores, vendo a UE como alternativa à dependência do crédito chinês.
O padrão que emerge é de realinhamento das potências médias. Não como rebelião contra o sistema liderado pelos EUA, mas como busca de maior autonomia dentro dele. O Reino Unido não sai da OTAN, apenas quer influência maior nas decisões europeia. O Brasil não abandona as negociações com China, apenas procura diversificar seus mercados. Esses reposicionamentos reduzem a coesão do que antes era chamado de "Ocidente" e redefinem as parcerias estratégicas como mais transacionais que ideológicas.
