O Brasil projeta uma safra de 322 milhões de toneladas de grãos para 2025-2026, com a soja atingindo 169 milhões de toneladas e câmbio favorável potencializando as exportações. Tratase do pior recorde absoluto. A projeção vem do CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e reflete não apenas condições climáticas favoráveis, mas também expansão contínua da fronteira agrícola no Centro-Oeste.
Essa produção recorde coloca o Brasil em posição única no cenário global. Enquanto Rússia e Ucrânia travam conflito que reduz suas capacidades de exportação de grãos, Pequim busca garantir suprimentos para sua população, e a Europa enfrenta pressão por sustentabilidade que reduz sua produtividade, o Brasil oferece volume, preços competitivos e acesso previsível. Isso não é apenas vantagem comercial. É instrumento de poder. Alimentos são mais inelásticos que a maioria das matérias-primas: governos precisam deles, não podem prescindir.
A implicação é que a agricultura brasileira se transforma em ativo geopolítico equivalente a energia (petróleo e gás) ou minerais críticos. Oferece ao Brasil capacidade de negociação em acordos comerciais, alavancagem diplomático em negociações multilaterais e redução da dependência de capital estrangeiro para financiar déficits. O Brasil não precisa ser grande potência militar ou tecnológica para exercer influência. A safra recorde faz isso. O que acompanhar: se governos africanos e asiáticos, dependentes de importações de grãos, usarão suas posições no G20 ou outras negociações para pressionar Brasil a manter preços baixos ou priorizar certos mercados politicamente.
