A capital turca, Ancara, recebe no próximo mês a cúpula da OTAN, a aliança militar que reúne EUA, Europa e Canadá. O encontro ocorre em um momento de divisões profundas entre os membros ocidentais sobre como lidar com guerras em andamento. Na segunda-feira, dia 22 de junho, o Washington Institute reúne diplomatas turcos e especialistas americanos para antecipar os debates da conferência.
O governo do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, tenta usar a anfitrioaria para consolidar seu papel de mediador global. A Turquia equilibra relações com a Ucrânia, com a Rússia e com as potências ocidentais, transformando seu território em uma encruzilhada diplomática indispensável. O exército turco é o segundo maior em efetivos da aliança atlântica, o que dá a Ankara um peso desproporcional nas decisões sobre defesa europeia. A disputa por influência dentro do bloco reflete o cansaço europeu com o custo militar do conflito no leste.
O think tank (instituto de pesquisa) Washington Institute alerta que a cúpula precisará resolver a desconexão entre a política externa americana e as prioridades de defesa da Europa. O preço do petróleo e a segurança das rotas comerciais no Mediterrâneo estão diretamente ligados às decisões tomadas pelos membros do bloco. Qualquer racha formal entre os aliados enfraquece a capacidade de resposta militar conjunta e abre espaço para a influência russa no continente.
