O líder da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing, iniciou uma visita de cinco dias à China, sua primeira viagem oficial desde que assumiu a presidência em abril. O general busca em Pequim a proteção necessária para consolidar seu governo doméstico em meio a uma guerra civil brutal. O país vive um colapso econômico profundo e o regime militar perdeu o controle de vastas porções de território nos últimos meses.
A visita segue o roteiro clássico de governos fracos que buscam abrigo sob as asas de potências maiores para garantir sua sobrevivência. A China é o principal investidor em infraestrutura da região e vê Mianmar como uma porta estratégica para o Oceano Índico. Em troca de apoio político e suprimentos militares, o general deve conceder a Pequim acesso privilegiado a rotas comerciais e recursos naturais. Esse movimento reforça a estratégia chinesa de cercar seus vizinhos com dependentes econômicos, em vez de colônias políticas declaradas.
A stablidade (estabilidade) do sudeste asiático depende cada vez mais de Pequim, o que afasta a influência americana da região. O diplomata (revista) informou que a visita ocorre no mesmo mês em que os EUA e aliados europeus tentavam coordenar sanções contra a junta militar. O calor (clima) dos debates sobre direitos humanos esbarra na realidade de que a China oferece alternativas imediatas a países isolados pelo Ocidente.
