A demanda por semicondutores de alta performance especialmente chips que aceleram inteligência artificial criou um gargalo que nenhuma indústria prévia havia gerado. A TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) e a Samsung operam em capacidade máxima, e os lead times para chips HBM (high bandwidth memory), essenciais para datacenters de IA, chegam a 52 semanas. Investimentos de mais de 500 bilhões de dólares estão planejados globalmente para expansão de fábricas, mas nenhuma ainda saiu do papel com rapidez suficiente para aliviar a escassez.
A escassez de semicondutores é diferente da de petróleo no século 20, porque não é resultado de monopólio geográfico natural é resultado de monopólio de conhecimento técnico e capacidade manufatureira. A TSMC fica em Taiwan e tem contrato exclusivo com a Nvidia, fabricante do chip mais procurado para IA. Qualquer interrupção na cadeia de suprimento seja por conflito geopolítico, desastre natural ou questões comerciais afeta instantaneamente a capacidade global de treinar novos modelos de IA. Isso coloca Taiwan não como mercado periférico, mas como pivô de toda a transformação tecnológica em curso.
A implicação é que a corrida por semicondutores se torna a corrida por inteligência artificial, que se torna a corrida por poder militar e econômico. EUA, China e Europa competem para garantir suprimento. Os EUA pressionam a TSMC a abrir fábricas no Arizona, reduzindo dependência de Taiwan. A China investe maciçamente em fábricas domésticas, ainda que com tecnologia defasada. A Europa tenta recuperar presença que perdera na manufatura de chips. Todos reconhecem que controlar semicondutores é controlar o futuro. O que monitorar: qualquer movimento de China ou EUA para securitizar Taiwan ou garantir suprimento de chips será o indicador de como a competição geopolítica está se reorganizando.