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Geopolíticasexta-feira, 26 de junho de 2026·2 min de leitura

Guerra sem fim, aliança sob pressão

CONFLITO · ESCALADA · GEOPOLÍTICA
Guerra sem fim, aliança sob pressão

A OTAN a aliança militar que reúne EUA, Europa e Canadá enfrenta uma pergunta que não respondeu bem até agora: o quanto dinheiro e tempo está disposta a investir na Ucrânia enquanto a Rússia mostra disposição de continuar indefinidamente? Na cúpula realizada recentemente, os líderes reafirmaram compromisso com suporte militar e financeiro contínuo. Mas reafirmar não é resolver, e a coesão do bloco está sob pressão por duas razões contraditórias: há quem queira mais escalada, e há quem tema uma guerra que nunca termine.

A Ucrânia recebe uma média de 5 a 8 bilhões de dólares por trimestre em ajuda militar e humanitária dos aliados ocidentais um número que estabilizou após picos iniciais em 2022 e 2023. A questão, para países europeus como França, Alemanha e Polônia, é se esse nível é sustentável por uma década. Enquanto isso, Putin demonstra que a Rússia consegue absorver perdas militares contínuas e manter mobilização doméstica, ao menos por enquanto. A OTAN não tem certeza de qual é a estratégia de vitória nem quando declara que venceu. Sem ambos, aliados começam a questionar publicamente o objetivo final.

A pressão interna na OTAN é real e crescente. Países da Europa Central, especialmente Polônia, veem a Ucrânia como condição para sua própria segurança quanto mais tempo a guerra continua sem vitória clara, mais tempo eles estão militarmente em risco. Ao mesmo tempo, países como Alemanha enfrentam eleições e pressão doméstica por gastos em bem-estar social. Trump, presidente dos EUA, sinalizou ceticismo sobre compromissos militares abertos e indefinidos. A OTAN funciona por consenso, o que significa que uma única dissensão interna corrói a autoridade de toda a aliança. O que monitorar: qualquer declaração de redução de suporte militar dos EUA ou da Europa sinalizaria rachaduras na coesão que levou 75 anos para ser construída.