A operação militar mais ampla desde o fim da Guerra Fria reúne 90 mil soldados em exercícios que cobrem 13 países europeus. Não é paranoia. É resposta. A Rússia aumentou provocações na região do Báltico e do Leste europeu, e a OTAN que havia entrado em conforto relativo após 1991 precisa relembrar ao continente e ao mundo que está equipada, organizada e disposta a responder. A demonstração serve como linguagem clara: "Temos poder de fogo, knowhow operacional e vontade política de usálo."
O significado disso ultrapassa exercícios. Quando uma aliança militar de 32 países reúne 90 mil soldados, não está apenas testando equipamentos ou comunicações. Está recalibrando sua identidade. Durante três décadas, a OTAN pode se comportar como fórum político. Agora, relembra que é antes de tudo uma máquina de guerra e essa lição não é dirigida a rivais internacionais, mas também ao próprio continente europeu, que precisava ser reacordado da fragilidade da paz que tomava como certa.
Consequência concreta: orçamentos de defesa sobem em toda a Europa, investimentos em munição e tecnologia militar aceleram, e países como Polônia, Balcãs e Escandinávia ampliam sua presença militar junto às fronteiras ocidentais. O que significa é uma reversão completa do padrão de 1991 a 2020, quando a história "tinha fim" e Europa podia investir em bem-estar. Agora investe em bunkers. O que acompanhar: se essa retomada militar europeia força reconfiguração econômica indústrias podem começar a priorizar segurança sobre custo, redefinindo a geografia produtiva do continente.
