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Geopolíticaquarta-feira, 24 de junho de 2026·2 min de leitura

Síntese: O mundo se parte em blocos de poder antes da guerra realmente começar

CONFLITO · ESCALADA · GEOPOLÍTICA
Síntese: O mundo se parte em blocos de poder antes da guerra realmente começar

O que conecta esses seis fios é singular: o mundo está se reorganizando em infraestrutura de poder antes que qualquer crise terminal a force. A corrida por IA, o investimento em soberania tecnológica, os exercícios militares perto de Taiwan, a diplomacia no Oriente Médio, a fragmentação política europeia e a aproximação Mercosul-UE não são fenômenos independentes. São ensaios para um sistema multipolar onde nenhuma potência tem garantido que domina sozinha.

Cada bloco tenta construir autonomia porque sabe que a ordem anterior se foi. Os EUA não conseguem sustentar domínio total. A China avança mais rápido que esperado. A Europa se vê vulnerável. O Brasil e a América Latina sentem oportunidade de ganhar margem de manobra. Não há cooperação genuína: há busca de cada um reduzir dependência do outro para depois poder negociar com mais força. A tecnologia é o campo onde a corrida é mais aberta. Quem controla IA controla defesa, economia, informação. Por isso Brasil investe R$ 40 bilhões e Microsoft responde com US$ 80 bilhões. Por isso Europa legisla e China publica mais pesquisa. Cada movimento é um cálculo de poder futuro.

O risco estrutural é que essa reorganização aconteça através de conflito menor em Taiwan, Ucrânia ou Oriente Médio que fuja do controle. Negociações no Qatar funcionam porque Israel e Hamas ainda veem espaço para acordo. Exercícios chineses perto de Taiwan funcionam como dissuasão enquanto ninguém calcula errado. Parlamento francês fragmentado é instável mas não explosivo. Tudo isso é construído sobre equilíbrio de incertezas. Se alguma parte decide que o risco vale a pena, o sistema vira. A ordem está sendo reescrita enquanto ainda funciona. O que importa nos próximos meses é se a reescrita acontece por negociação ou por ruptura.